Pesquisar no Blog do J.A.

Mostrando postagens com marcador Colaboração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colaboração. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Projeto Didásko PORTUGAL - CARTA DE ORAÇÃO - NOVEMBRO DE 2025

Alcabideche (Cascais), Portugal, 20 de novembro de 2025.

“A grandeza de uma pessoa não é determinada pela riqueza, educação ou fama, mas pelo que é preciso para desencorajá-los” — J. Falwell

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Que a graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo vos sejam multiplicadas.

Este mês tem sido marcado por dias chuvosos, frios e cinzentos. O inverno, que aqui costuma ser longo, deixa os dias bem mais curtos e torna o dia a dia um pouco mais melancólico. Ainda assim, louvamos a Deus, porque Ele sustenta e renova as nossas forças a cada dia.

Quanto à renovação da minha autorização de residência, o processo permanece em análise há mais de um mês. Nos últimos anos, Portugal viveu um período de fronteiras amplamente abertas, especialmente para imigrantes da Índia, Paquistão e Bangladesh.

A enxurrada de imigrantes ilegais gerou uma série de problemas e levou o governo a adotar medidas cada vez mais restritivas, afetando inclusive quem já vive no país regularmente. Entre as novas exigências — ainda que não oficiais — está a contribuição para a Segurança Social (que seria o INSS no Brasil), possível somente para quem possui emprego formal ou exerce atividade autônoma devidamente regularizada.

Além disso, o custo de vida continua a subir. Alimentos, contas básicas e, sobretudo, aluguéis alcançaram valores muito altos, tornando o dia a dia ainda mais desafiador. Nesse contexto, buscamos em oração a direção do Senhor para podermos permanecer firmes em nosso propósito e continuar avançando em nosso projeto missionário em Portugal.

Há vários meses, Deus começou a despertar no meu coração o desejo de aproveitar algumas oportunidades e realizar uma formação sólida em análise e ciência de dados. Hoje compreendo que o Senhor preparava-me-me para este tempo.

Assim como Paulo trabalhou na fabricação tendas em Corinto enquanto aguardava a chegada das contribuições das igrejas da Macedônia (At 18.1-5), também desejo, com humildade, exercer um trabalho digno nas horas vagas e que não comprometa o ministério, mas que nos permita avançar em nosso projeto com responsabilidade. Paulo sempre manteve o foco missionário, mas agiu com sabedoria até que o socorro chegasse.

Para iniciar como freelancer (trabalhado autônomo), criei o site www.pcdatainsights.com, onde apresento o trabalho que envolve análise de dados, programação e desenvolvimento web.

Esse caminho não substitui o chamado missionário; ao contrário, protege o nosso projeto, fortalece a permanência em Portugal e oferece a estabilidade necessária até que o sustento esteja completo e possamos dedicar-nos exclusivamente ao trabalho do Senhor, sempre com prudência e dependência dele.

Continuo no início dessa caminhada e, mesmo sem projetos fechados, sigo confiando que o Senhor abrirá as portas necessárias no tempo certo. Uma das coisas que mais zelo é pela confiança, ética e transparência, e por isso faço questão de partilhar abertamente cada passo que damos, sempre buscando agir com integridade diante de Deus e dos irmãos.

Não recebemos apoio financeiro de Portugal, e a ajuda que vem do Brasil, embora preciosa, é limitada. Na prática, o trabalho da Alessandra tem suprido grande parte das nossas necessidades, mesmo com muitas restrições, e ela agora precisa reduzir a carga horária e iniciar um tratamento de saúde devido a dores na região cervical. 
Por isso, continuamos contando, mais do que nunca, com o precioso apoio, contribuições e orações de todos os queridos irmãos.

Por favor, orem:

* Pela saúde física, emocional e espiritual de toda nossa família.

* Pela renovação da minha autorização de residência, da Alessandra e do Lucas.

* Pelo tratamento de saúde da Alessandra.

* Pelo avanço do nosso projeto missionário em Portugal e na Índia.

* Por novos mantenedores para podermos completar nosso sustento mensal.

* Por sabedoria e direção de Deus para os próximos passos.

Somos imensamente gratos a todos os queridos irmãos, pastores e igrejas que têm nos apoiando na obra missionária. Que Deus continue abençoando grandemente e recompensando a fidelidade e constância de cada um dos queridos irmãos.

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique e família
-----------------------------------------------------
Nossas contas pessoais (em nome de Paulo Henrique P. Cunha):
BB (Ag 33159-3 C/C 6573-0) | ITAÚ (Ag 6116 C/C 00485-1)
As nossas chaves PIX: 016.430.477-01 (CPF) | ppaulo_henrique@hotmail.com (E-mail)

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Projeto Didásko PORTUGAL - CARTA DE ORAÇÃO- SETEMBRO DE 2025

Alcabideche (Cascais), Portugal, 15 de setembro de 2025

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado…” (Mt 28.19-20)

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Que a graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo vos sejam multiplicadas.

Graças a Deus, a onda de calor extremo em Portugal já passou e os grandes incêndios chegaram ao fim. Agora a temperatura está mais amena, e os dias começam a encurtar, lembrando-nos de que o inverno se aproxima. Tenho estado bastante ocupado com as atividades da igreja, as aulas do curso de teologia e também com os cursos que estou estudando, a ponto de muitas vezes desejar que o dia tivesse mais horas. Ainda assim, procuro seguir a orientação das Escrituras: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças” (Ec 9.10).

Neste mês desejo compartilhar um sentimento constante em meu coração, especialmente diante do cenário mundial. A carta está um pouco mais extensa que o habitual, mas solicito que você reflita sobre o assunto e ore a respeito.

Em meio às incertezas, crises e rápidas transformações, somos desafiados a tomar decisões que revelam onde está nossa confiança. Não se trata de opiniões passageiras, mas de convicções profundas que moldam nossa vida e testemunho. Não podemos permanecer neutros, como se fosse aceitável, pois Jesus disse: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens” (Mt 5.13).

Precisamos afirmar com clareza nossa fé e valores como servos de Cristo. O apóstolo Pedro nos exorta: “estai sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir, razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). Essa esperança não é ilusória, mas firmada, na verdade, do evangelho.

Vivemos dias em que os principais embates não se restringem ao campo político ou econômico, mas se concentram sobretudo nas ideias. É nesse terreno invisível que se formam valores, moldam-se comportamentos e definem-se cosmovisões. Ao longo dos anos afirmo que a grande batalha atual ocorre essencialmente nesse campo.

Essa percepção já havia sido destacada em 1980, no discurso inaugural do Billy Graham Center, quando um renomado acadêmico afirmou que a evangelização envolve duas tarefas inseparáveis: salvar a alma e salvar a mente. Ele advertiu que a igreja corre risco ao negligenciar a formação intelectual dos crentes.

Muitos jovens abandonam a fé ao ingressar na universidade por não serem preparados a desenvolver uma cosmovisão bíblica. Cosmovisão é como interpretamos a vida e a realidade. Como declarou Charles Colson, “as nossas escolhas são moldadas por aquilo que acreditamos ser real e verdadeiro, certo e errado, bom e belo. […] A base para a cosmovisão cristã, é claro, é a revelação de Deus nas Escrituras”.

O problema é que muitos evangélicos não percebem a dimensão da guerra espiritual em que estão inseridos. Enxergam questões como aborto ou ideologia de gênero somente como problemas isolados, sem notar que são sintomas de um conflito maior: o embate entre a cosmovisão cristã e visões seculares ou espirituais contrárias à fé cristã. Preparar os crentes para enfrentar tais desafios é tarefa urgente, como fizeram os Pais da Igreja ao defenderem a verdade bíblica.

O apóstolo Paulo ensina que a mente é um campo de batalha (2 Co 10.4-5). Essa guerra não é contra pessoas, mas contra ideias contrárias ao evangelho, influenciadas por espíritos enganadores (Ef 6.12; 1 Tm 4.1). Por isso, Paulo descreve a necessidade de destruir essas fortalezas espirituais inimigas e avançar com a pregação fiel e o discipulado consistente (Ef 6.19; Jo 20.31).

Concordo com William Lane Craig, que afirma: “como cristãos, estamos diante de duas tarefas na evangelização: salvar a alma e salvar a mente”. Esse também é um dos propósitos do projeto Didasko: usar todos os meios para fazer discípulos e ensiná-los a guardar tudo o que Cristo ordenou. Como disse Rick Warren: “Meu objetivo nunca foi salvar o mundo, mas certificar-me que todos no mundo saibam que existe um Salvador”.

Nossa responsabilidade é levar a Palavra até os ouvidos das pessoas, mas é o Espírito Santo quem a leva ao coração.

Por favor, orem:
Pela saúde física, emocional e espiritual de toda nossa família;
Pelos desafios espirituais de Portugal;
Pela melhoria das economias brasileira e portuguesa;
Por novos mantenedores para nos apoiarem no nosso sustento mensal;
Por sabedoria e direção de Deus para os nossos passos e planos futuros;
Para que nosso projeto seja um instrumento eficaz de pregação, ensino, discipulado e preparo de servos fiéis para a obra de Cristo.
Somos imensamente gratos a todos queridos irmãos, pastores e igrejas que têm nos apoiando na obra missionária. Que Deus continue abençoando grandemente e recompensando a fidelidade e constância de cada um dos queridos irmãos.

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique e família
-----------------------------------------------------
Nossas contas pessoais (em nome de Paulo Henrique P. Cunha):
BB (Ag 33159-3 C/C 6573-0) | ITAÚ (Ag 6116 C/C 00485-1)
As nossas chaves PIX: 016.430.477-01 (CPF) | ppaulo_henrique@hotmail.com (E-mail)

segunda-feira, 17 de março de 2025

Projeto Didásko PORTUGAL - Fazendo Missões em tempos de crise

Fonte: Projeto Didásko Portugal.
FAZENDO MISSÕES EM TEMPOS DE CRISE

A história do povo de Deus é marcada por desafios, sejam perseguições externas ou crises internas, como desvios doutrinários. No entanto, a fidelidade divina sustenta a missão. As adversidades não podem impedir o avanço da obra de Deus; pelo contrário, Ele as permite para fortalecer nossa fé e dependência n'Ele.

As Escrituras mostram Deus agindo soberanamente na história, cumprindo Seus propósitos mesmo diante das limitações e falhas do Seu povo. Sua providência governa todas as coisas, garantindo que nada escape ao Seu plano perfeito (Ef 1.11). Essa verdade traz consolo à Igreja, especialmente em tempos difíceis. A carta de Hebreus nos exorta a perseverar na fé, sem retroceder, pois temos uma esperança inabalável fundamentada na fidelidade de Deus.

Muitas igrejas enfrentam dificuldades para definir seu verdadeiro propósito e missão no mundo. Essa falta de clareza pode gerar incerteza e paralisia, especialmente em tempos de crise e adversidades. A Igreja, porém, não deve ser guiada pelas circunstâncias, mas pela Palavra de Deus, que nos capacita para toda boa obra (2 Tm 3.16-17).

A missão da Igreja é, antes de tudo, glorificar a Deus por meio da proclamação fiel do evangelho de Cristo, anunciando arrependimento e fé para a salvação (Mt 28.19-20; Mc 16.15). Ao mesmo tempo, essa proclamação se manifesta em um testemunho vivo, que reflete o amor e a justiça do Reino de Deus na sociedade, sem comprometer sua identidade espiritual e sua vocação essencial.

Assim como Deus é fiel ao seu povo (Dt 7.9; 2 Tm 2.13), devemos ser fiéis a Ele e à Sua missão no mundo (Mt 28.19-20; 1 Co 4.2). Mas como manter essa fidelidade em tempos de crise?

1. Reafirmar a vocação missionária

A missão é um chamado divino, fundamentado no mandato de Cristo, e não uma iniciativa meramente humana. A Igreja não é sua proprietária, mas participante do plano redentor de Deus para alcançar os perdidos. Para ser fiel a essa vocação, deve constantemente retornar às Escrituras, onde encontra sua base, motivação e direção. Somente enraizada na Palavra de Deus, poderá proclamar o evangelho a todas as nações, para a glória de Deus.

2. Manter o foco na Grande Comissão

A Igreja, mesmo diante de desafios e oposição, tem o chamado inegociável de proclamar o evangelho a todos os povos. Além de pregar, deve comprometer-se com o discipulado, ensinando os convertidos a obedecer a Cristo, fortalecer sua fé e guiá-los à piedade e ao serviço. Esse mandamento universal, baseado na autoridade de Cristo (Mc 16.15; Mt 28.18-20), é a essência da Grande Comissão e deve ser cumprido com zelo, confiança na soberania de Deus e dependência do Espírito Santo.

3. Adaptar estratégias sem alterar a mensagem

Tempos de crise exigem criatividade e flexibilidade. Estratégias podem mudar, mas a essência do evangelho permanece. O uso da tecnologia, o engajamento comunitário e abordagens inovadoras podem ampliar o alcance da proclamação do evangelho, caso estejam firmemente alicerçados na Palavra de Deus e na centralidade de Cristo.

4. Cultivar uma mentalidade de serviço e perseverança

A missão exige sacrifício e renúncia. Os missionários enfrentam desafios como dificuldades financeiras, perseguição e solidão, mas são chamados a servir com fidelidade e perseverança. Cristo ensina que o discipulado implica carregar a cruz diariamente (Lc 9.23) e confiar em Deus para o sustento e direção. O verdadeiro servo não busca conforto ou reconhecimento, mas dedica sua vida ao avanço do Reino, sabendo que seu trabalho no Senhor não é em vão (1 Co 15.58).

5. Confiar na soberania de Deus

A história da Igreja mostra que Deus conduz soberanamente Sua obra, independentemente das crises. A Igreja primitiva não somente sobreviveu à perseguição, mas cresceu, evidenciando o avanço irresistível do Evangelho. Da mesma forma, grandes movimentos missionários surgiram em meio a instabilidades, guerras e dificuldades econômicas, provando que a expansão do Reino de Deus não depende das circunstâncias humanas, mas do propósito soberano de Deus. Essa certeza fortalece nossa fé e renova a ousadia para perseverarmos na missão.

A obra missionária não é fácil; se fosse, todos os cristãos estariam envolvidos. No entanto, nosso dever é obedecer à ordem de Cristo, independentemente das circunstâncias (Mt 28.19-20; At 1.8). Fazer missões em tempos de crise exige fé, visão e compromisso. A Igreja deve permanecer firme, adaptável e confiante na graça de Deus. O Senhor da missão continua a operar e Sua promessa permanece: "E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28.20).

Pr. Paulo Henrique e família
-----------------------------------------------------
Nossas contas pessoais (em nome de Paulo Henrique P. Cunha):
BB (Ag 33159-3 C/C 6573-0) | ITAÚ (Ag 6116 C/C 00485-1)
As nossas chaves PIX: 016.430.477-01 (CPF) | ppaulo_henrique@hotmail.com (E-mail)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Projeto Didásko PORTUGAL - VAMOS TERMINAR A MISSÃO E VOLTAR PARA CASA

Fonte: Projetos Didásko.
VAMOS TERMINAR A MISSÃO E VOLTAR PARA CASA”

Por Eddie Byun

Jim Elliot é frequentemente elevado nos círculos cristãos como um verdadeiro herói no mundo das missões, e com razão. Ele resume o que imaginamos quando pensamos em entregar nossas vidas pelo campo missionário — e nos tornarmos mártires por Cristo. Jim, com outros quatro, morreu nas mãos de guerreiros tribais no Equador em 1956. Esses guerreiros eram exatamente as pessoas que eles estavam tentando alcançar com o evangelho. Também celebramos a graça de Deus no fruto de suas mortes, pois mais tarde descobrimos que muitos daquela tribo acabaram se tornando crentes.

Mas outra história que amo diz respeito à vida e ao testemunho do irmão de Jim, Bert, que não é muito conhecido, mas que terminou sua corrida tão fielmente quanto seu irmão famoso. Bert e sua esposa Colleen eram estudantes no Multnomah Bible College em 1949, quando foram convidados a se tornar missionários no Peru, muitos anos antes de Jim ir para o Equador. Eles serviram fielmente o povo do Peru por mais de sessenta anos. Em relação ao ministério de Bert, Randy Alcorn diz: ‘Eles podem ter servido a Cristo fielmente longe do radar da igreja, mas não o de Deus’.

Ao falar de seu irmão, Bert disse uma vez: ‘Jim e eu servimos a Cristo, mas de forma diferente. Jim foi um grande meteoro, riscando o céu’. Alcorn seguiu esse comentário dizendo que Bert era uma ‘estrela tênue que se levantava noite após noite, cruzando fielmente o mesmo caminho no céu, para a glória de Deus’.

Alcorn então refletiu sobre a vida de Bert com estas palavras pungentes: ‘No trabalho missionário, o sofrimento às vezes resulta em uma vida curta que culminou no martírio, às vezes em uma longa vida diária de morrer para si mesmo e viver para Cristo. Acredito que a recompensa de Jim Elliot seja considerável, mas não me surpreenderia descobrir que a de Bert e Colleen será ainda maior... Bert e Colleen Elliot viveram uma longa obediência na mesma direção. Quer sigamos a Deus para deixar nosso país ou para ficar aqui, todos nós também somos chamados a uma vida de perseverança fiel, capacitada por Cristo.

Eu amo a história de Bert porque ela me lembra a minha história. A vida simples de obediência motivada pelo amor a Deus. Sua vida não foi aplaudida por multidões. Ele não se tornou um pregador de celebridades. Ele simplesmente seguiu Jesus e compartilhou o evangelho onde quer que Deus o enviasse. Seu objetivo não era a fama, mas a fidelidade. Espero que seja assim que vou terminar também — fiel.

O campo missionário pode ser um lugar solitário. Já ouvi muitos lugares serem chamados de ‘cemitério de missões’. São lugares onde as pessoas chegam com grande zelo pelas nações e grande paixão pelos perdidos, mas depois de anos de dificuldades e seca espiritual, eles voltam para casa derrotados, desanimados e desencorajados. Muitos missionários sentem como se estivessem lutando sozinhos no campo missionário. Quero mudar isso por meio das orações deste livro.

Eu quero ver missionários fortalecidos porque a igreja está ativamente viva em oração intercessora e cuidado compassivo por seus missionários.

Eu quero ver as orações aumentarem para o campo missionário a tal ponto em nossa geração que veremos a conclusão da Grande Comissão em nossa vida. Jesus nos disse para orar para que Deus enviasse trabalhadores para seus campos de colheita.

Eu quero ver igrejas orando, jejuando, enviando e apoiando missões, trabalhando mais do que qualquer outra geração fez antes. Quanto mais orações pudermos lançar no campo missionário, maior será a colheita. Jesus diz que há uma correlação direta entre o evangelho alcançando as nações e seu retorno. Porque quero ver Jesus, quero terminar a missão que ele nos deu.

Então vamos nos comprometer a orar para que todos os povos do mundo conheçam o nome de Jesus. Vamos nos comprometer a orar para que nossos missionários permaneçam em Jesus e sejam fiéis até o fim. Vamos terminar a missão e ir para casa.

Igreja, vamos fazer isso.

Por EDDIE BYUN, no seu livro “Praying for Your Missionary: How Prayers from Home Can Reach the Nations” (“Orando por Seu Missionário: Como as Orações de Casa Podem Alcançar as Nações”).

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

História do Cristianismo

Fonte: Pinterest.
Martírio de Justino Mártir

Um dos mais notórios nesta perseguição foi o de Justino.

Nascido no princípio do segundo século, na Síria, de pais pagãos, foi um filósofo, mas sempre procurava mais luz, não se contentando com sua filosofia.

Andando um dia pela praia, a meditar, encontrou m homem velho e venerável, e este, reconhecendo os trajes do filósofo, entrou em conversação com Justino.

Mostrou-lhe a falência da filosofia e aconselhou o jovem a ler as Escrituras Sagradas dos judeus, como única fonte de conhecimento verdadeiro, e acrescentou: “Ali acharás todo o necessário para alcançares a felicidade verdadeira; mas acima de tudo pede a Deus para abrir o teu coração para receberes a luz; pois, sem a vontade de Deus e seu Filho Jesus Cristo, ninguém pode obter a salvação.”

Justino seguiu este conselho, estudando as Escrituras do Velho Testamento, os escritos dos Evangelhos e algumas Epístolas (porque naquele tempo o Novo Testamento ainda não existia como o temos), e ele achou a vida eterna.

Continuou a lecionar, vestido de filósofo, porque queria reconciliar tudo que julgava bom na filosofia com as verdades da fé cristã.

Escreveu seu livro “Apologia” para auxiliar os filósofos, e “Diálogos” para convencer os judeus.

O resultado, porém, foi que ficou mais odiado.

Por fim, foi acusado pelos filósofos perante o prefeito Rustico; sendo condenado a morrer (cerca de 165 d.C.).

Uma certa carta de Justino descreve como os cristãos procediam no culto, cerca do ano 150 d.C.

Ele diz “Encontramo-nos no dia do Senhor (o domingo) para adoração, nas cidades e vilas; lemos nos livros dos profetas e das memórias dos apóstolos, tanto quanto o tempo nos permite. Acabada a leitura, o presidente ou bispo, num discurso ou sermão, exorta os fiéis a seguirem aqueles excelentes exemplos; em seguida todos se levantam e oram juntos. Depois disto trazem pão, vinho e água, o presidente faz oração e dá graças conforme a sua habilidade, e toda a gente diz 'Amém'”.

Faz-se então a distribuição das coisas abençoadas a todos os presentes, e ais ausentes são enviados por mão dos diáconos.

“Aqueles que são ricos e estão dispostos a isso, dão o dinheiro que querem, cada qual conforme a sua vontade; e o que se junta é entregue ao presidente, o qual beneficia cuidadosamente os órfãos e as viúvas, e aqueles que por doença ou outro qualquer motivo estão necessitados, e também os que se acham presos, e os estrangeiros que residem conosco; em suma, todos os que precisam de auxílio.”

Segundo estas palavras de Justino Mártir, os cristãos já começaram a considerar supersticiosamente os emblemas da Santa Ceia, como possuídos de virtude em si, em ver de servirem como uma simples lembrança do sacrifício e da morte do Senhor.

O apóstolo Paulo ensinou aos Coríntios que a Santa Ceia era uma manifestação de comunhão entre os participantes e as ações de graças eram uma parte integral do rito.

O desvio do ensino bíblico desenvolveu-se na hóstia e na missa, e, passando algum tempo, o “presidente” tornou-se “sacerdote” com poder milagroso.

Continua.


KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.


sexta-feira, 19 de julho de 2024

História do Cristianismo

Fonte: Pinterest.
A Quarta Perseguição (161–180 d.C.)

Contudo, com a subida ao trono de Marco Aurélio (26/04/121–17/03/180), começou uma nova opressão, e no segundo ano do seu reinado as nuvens da perseguição de novo amontoaram-se.

As várias inquietações que se seguiram umas após as outras com espantosa rapidez, e que pareciam, às vezes, perturbar as próprias instituições do império.

Forneceram pretexto fácil para a renovação das perseguições, e logo em seguida, o antigo ódio pelos cristãos, que haviam, muito se guardava no coração, começou mais uma vez a manifestar-se por palavra.

E, o antigo grito “Lancem os cristãos aos leões”, tão terrivelmente familiar aos ouvidos de muitos, começou de novo a ouvir-se, e se passou como um sopro pestilento pelo império oriental.

Assim teve origem a quarta perseguição geral.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

História do Cristianismo

Fonte: Pinterest.
A Vontade do Povo

Mas a hora do espetáculo já havia passado, e o asiarca, que tinha ao seu cuidado os espetáculos públicos, recusou-se a fazer a do povo.

Se ainda estavam dispostos para dar-lhe a morte (a Policarpo), tinha de escolher qualquer outro dia; assim, pois, se ouviu um grito para que Policarpo fosse queimado.

A lenha e a palha estavam ali à mão, e a vítima, após ser despojada de sua capa, foi levada às pressas para o poste, ao qual queriam pregá-lo, mas Policarpo pediu-lhes para ser simplesmente atado, e concederam-lhe isso.

Tendo, em seguida, recomendado a sua alma a Deus, deu sinal ao algoz, que logo lançou fogo à palha.

Mas os acontecimentos maravilhosos do dia ainda não haviam chegado ao fim.

Por qualquer razão desconhecida, as chamas não tocaram no corpo de Policarpo, e os espectadores, vendo-se frustrados, olhavam uns para os outros na maior admiração.

Contudo, o ódio venceu a superstição, e pediram ao algoz que matasse a vítima a golpes de espada.

Assim se fez; o golpe fatal foi imediatamente dado, e naquele momento de cruel martírio o fiel servo do Senhor entregou a alma a Deus, e ficou para sempre longe do alcance dos seus perseguidores.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Notícias Obra Missionária - Projeto Didásko PORTUGAL - Pedido de oração

Amados irmãos e companheiros na obra missionária,

Que a graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo vos sejam multiplicadas.

O motivo desta breve mensagem é compartilhar com os irmãos algumas das nossas necessidades, conforme nos orienta as Escrituras (Rm 12.13), para os irmãos poderem nos ajudar primeiramente em oração. O custo de vida em Portugal tem aumentado absurdamente, o que não é comum na Europa. Além disso, a cotação do Euro continua a subir sem parar, impactando diretamente nossas finanças.

Atualmente, estamos pagando mais de R$ 6 por 1 euro nas transferências internacionais. Por isso, necessitamos urgentemente de novos mantenedores. No entanto, conseguir novos mantenedores não tem sido nada fácil. Pelo contrário, apenas neste mês perdemos dois mantenedores que nos ajudavam com um valor considerável (cerca de 20% do nosso sustento mensal).

Com pesar, nos informaram que não poderão mais nos apoiar mensalmente com suas contribuições. Já fizemos o máximo para reduzir nossas despesas, mas chegamos ao limite do que é possível. Por isso precisamos que nos ajudem em oração, pois para Deus nada é difícil demais (Jr 32.17,27).

Além disso, aqueles que Deus os guiar para isso e puderem nos auxiliar, seja com uma oferta especial de amor, seja aumentando um pouco sua contribuição mensal, se possível, será de grande ajuda para nós.

Sabemos que, para muitos, contribuir mensalmente com o valor atual já representa um grande sacrifício, e somos temos a agradecer que têm feito por nós. Apesar de tudo, confiamos e descansamos no cuidado gracioso de Deus, pois se Ele foi fiel para nós ontem, temos razão para confiar nele amanhã.

Queremos agradecer a todos que têm nos apoiado na obra missionária. Somos muito gratos a Deus por tantos queridos irmãos e igrejas que estão conosco na obra missionária.

Nós não temos nos esquecidos de orar incessantemente por todos os queridos irmãos, pastores e igrejas para que Deus continue os abençoando grandemente e recompensando pela vossa fidelidade e constância na obra missionária. A vossa recompensa vem do Senhor (1 Co 3.8; 15.58; Cl 3.24)!

Com gratidão,

Pr. Paulo Henrique
-----------------------
Nossas contas pessoais (em nome de Paulo Henrique P. Cunha):
BB (Ag 33159-3 C/C 6573-0) | ITAÚ (Ag 6116 C/C 00485-1)
As nossas chaves PIX: 016.430.477-01 (CPF) | ppaulo_henrique@hotmail.com (E-mail)

História do Cristianismo

Fonte: Pinterest.
Policarpo e o Governador

Era este o sítio onde tinham lugar os jogos e exposições sagradas; e diz-se que na ocasião de entrar na arena, uma voz como vindo do céu exclamou: “Se forte Policarpo, e porta-te como homem”.

Seja como for, um poder que não era humano susteve o homem de Deus; e quando cônsul, comovido com o seu aspecto venerável, pediu-lhe que jurasse pela alma de César, e dissesse “Fora com os ímpios!” o venerável mártir, apontando para os bancos cheios de gente repetiu com tristeza: “Fora com os ímpios”.

“Jura”, disse o governador, compadecido, “e eu te mandarei embora. Renega a Cristo”, mas Policarpo respondeu com brandura: “Tenho-O servido durante oitenta e sete anos, e nunca Ele me fez mal. Como posso eu agora blasfemar contra meu Rei e Salvador?”.

“Jura pela alma de César”, repetiu o governador, ainda inclinado à compaixão.

Policarpo respondeu: “Se julgais que hei-de jurar pela alma de César como dizeis, e fingis não saber quem eu sou, ouvi a minha livre confissão. Sou cristão, e se desejais conhecer a doutrina do cristianismo, concedei-me um dia para falar-vos, e escutai-me”.

“Persuade o povo”, disse o governador, notando com inquietação o clamor da multidão; mas Policarpo recusou-se a fazê-lo.

Tinham-lhe ensinado a honrar os poderes superiores, a sujeitar-se a eles porque eram ordenados por Deus, mas quanto ao povo que se encontrava, nada lhe apresentaria em sua defesa.

“Tenho à mão animais ferozes”, disse o governador, “lançar-te-ei a eles, se não mudares de opinião”.

“Mandai-vos vir”, disse Policarpo tranquilamente.

O velho peregrino alegrava-se com a perspectiva de se ver livre de um mundo ímpio e cheio de perseguições, e a sua tranquila intrepidez exasperou o governador, que por este motivo ameaçou-o de ser queimado; mas Policarpo respondeu: “Ameaçais-me com o fogo que arde por um momento, e depressa se apaga, mas nada sabeis da pena futura, e do fogo eterno, reservado aos ímpios”.

O governador perdeu completamente a paciência, e mandou um arauto apregoar no meio da arena: “Policarpo é cristão”.

Esta proclamação foi repetida três vezes, como era de costume, e a fúria da população chegou ao auge.

Viram no velho prisioneiro um homem que havia desprezado os seus deuses, e cujo ensino retirara o povo dos seus templos, e tornou-se geral o grito de “Lancem Policarpo aos leões”.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

História do Cristianismo

Fonte: Pinterest.
Martírio de Policarpo

Embora a perseguição tivesse abrandado, as autoridades locais por vezes oprimiriam aos cristãos.

Um dos que sofreram assim foi Policarpo, bispo de Esmirna, no ano de 155 d.C.

Até há poucos anos seu martírio era considerado como tendo acontecido durante a perseguição autorizada por Marco Aurélio (imperador romano), mas descobriu-se que o governador da Ásia Menor, Quadrado (Lúcio Estácio Quadrado), governava nos anos 155 e 156 d.C.

Durante esse tempo Policarpo foi morto.

Quando jovem fora discípulo do apóstolo João.

Poucos meses antes de morrer, Policarpo visitara o bispo de Roma, Ancieto, para discutir com ele a questão do dia próprio para celebrar a Páscoa, porque havia divergência concernente ao assunto entre as Igrejas do oriente e do ocidente.

Sobre esta questão mesquinha houve contendas na Igreja durante alguns séculos.

Irineu (bispo de Lyon que conheceu o mártir) diz que embora não pudesse chegar a um acordo neste assunto, o bispo de Roma, como honra especial, convidou seu ilustre visitante a celebrar a eucaristia na igreja de Roma.

Uma grande gesta pagã deu-se no ano de 155 d.C. em Esmirna, e onze cristãos foram trazidos de Filadélfia para serem mortos pelas feras, no anfiteatro.

O povo gritou: “Fora com os cristãos; morte a Policarpo”.

Esse fugiu para uma aldeia, mas sendo descoberto foi trazido à cidade.

Em consideração à sua idade avançada e a sua sabedoria, Nicites, homem de grande influência, e seu filho Herodes, oficial da cidade, foram ao seu encontro, e fazendo-o entrar no seu carro, instaram com ele para que assegurasse a sua liberdade, atribuindo honras a César e consentindo em oferecer sacrifícios aos deuses.

Ele recusou-se a isto e, por este motivo, foi empurrado do carro abaixo com tal violência que na queda torceu uma coxa.

Mas o velho servo de Deus continuou pacificamente o seu caminho, sem se perturbar com a rudeza de Herodes, indiferente aos gritos da multidão que, no seu delírio, o empurrava dum lado para outro; e deste modo chegaram à arena.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

História do Cristianismo

Fonte: Pinterest.
Anos de Sossego

No ano 117 d.C. morreu Trajano.

O seu sucessor Adriano (Públio Élio Adriano, 24 de janeiro de 76 d.C. — 10 de julho de 138 d.C.) continuou as perseguições, e foi só no ano de 138 d.C., quando Antônio Pio (19 de setembro de 86 d.C. — 7 de março de 161 d.C.) subiu ao trono, que os cristãos ficaram de alguma maneira aliviados desta opressão.

Com o seu reinado brando e pacífico começou um período de sossego, e durante esse tempo a Palavra de Deus teve livre curso, tendo sido glorificada.

É certo que houve alguns casos isolados de opressão, mas a perseguição geral havia desaparecido e o Evangelho depressa espalhou-se por todas as províncias dos domínios romanos.

A gloriosa mensagem foi levada para o Ocidente até nas extremidades da Gália Bretanha e para o Oriente até a Armênia e a Assíria; e milhares daqueles quem em vão haviam proclamado a paz do coração nas mitologias de Roma e do Egito, escutavam avidamente às palavras da vida, e espontaneamente declararam-se discípulos de Cristo.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

História do Cristianismo

O Martírio de Inácio

Inácio, que dizem ter conhecido os apóstolos Pedro e Paulo, era bispo de Antioquia e foi martirizado durante essa época.

O zelo com que ambicionava sofrer o martírio o expôs às censuras de vários historiadores, e com certa razão.

Conta-se que na ocasião em que Trajano visitou Antioquia, ele pediu para ser admitido à presença do imperador, e após explicar por bastante tempo as principais doutrinas da religião cristã, e mostrar o caráter inofensivo daqueles que a professavam, pediu que se fizesse justiça.

Contudo, o imperador recebeu o seu pedido como desprezo, e após o censurar por aquilo a que Trajano se aprazia em chamar a sua superstição incurável, ordenou que fosse levado para Roma e lançado às feras.

Durante a viagem, Inácio escreveu várias cartas às Igrejas, exortando-as à fidelidade e paciência, e avisando-as seriamente dos erros que se ensinavam.

Em uma das suas epístolas escreve: “Desde a Síria até Roma estou lutando com feras por terra e por mar, de noite e de dia, sendo levado preso por dez soldados cuja ferocidade iguala a dos leopardos, e dos quais, mesmo quando tratados com brandura, só mostram crueldade. Mas no meio destas iniquidades estou aprendendo… Coisa alguma, seja visível ou invisível, desperta a minha ambição, a não ser a esperança de ganhar Cristo. Se O ganhar, pouco me importarei que todas as torturas do demônio me acometam, embora seja por mio de fogo ou da cruz, ou pelo assalto das feras, ou que os meus ossos sejam separados uns dos outros e meus membros lacerados, ou todo o meu corpo esmagado.”

O navio que o levou a Roma se demorou em Esmirna, dando a Inácio oportunidade de visitar Policarpo e a Igreja ali, sobre a qual ele presidia como bispo.

Convocaram uma reunião especial, e representantes de várias Igrejas das cidades circunvizinhas vieram para saudar o mártir e aproveitar o seu ministério.

Em Esmirna escreveu quatro das sete cartas das quais ainda existem cópias.

Embora fossem cartas do ano 115 d.C., poucos anos depois da morte do último dos apóstolos, é evidente que os costumes da Igreja se haviam mudado.

O apóstolo Paulo escreveu de apenas das classes de ofício na Igreja local: os bispos (ou anciãos) que governavam, e os diáconos, que serviam as igrejas.

Segundo At 20.28, Fp 1.1 e Tt 1.5-7, os anciãos eram todos bispos, e existiam apenas os dois ofícios mencionados.

Mais tarde os anciãos começaram a nomear um do seu número (força de expressão, significa “escolhiam um ancião do meio deles”) como presidente, e só este recebia o título de bispo.

Ainda mais tarde os bispos eram eleitos pelo povo.

Tanto Inácio nas suas cartas, como Policarpo depois, e outros escritores mais tarde, frisaram a importância e a eminência do bispo.

Este desvio das Escrituras resultou, mais tarde, em grande abuso de autoridade e, afinal, na supremacia do bispo de Roma, como Papa.

Inácio insiste em que os cristãos obedeçam ao bispo da sua igreja.

Justino Mártir designou-os de “presidentes”.

No fim do segundo século os bispos entenderam serem eles uma espécie de sumo sacerdotes, enquanto os presbíteros eram os sacerdotes, e os diáconos, os levitas; fazendo deste modo um sistema semelhante às ordens judaicas.

Quando Inácio chegou a Roma, foi conduzido à arena e, na presença da multidão que enchia o teatro, esperou tranquilamente a morte.

Quando o guarda dos leões veio soltá-los das jaulas, o povo quase enlouqueceu, batia palmas e gritava com uma alegria brutal; mas o velho mártir conservou-se firme.

“Sou”, disse ele, “como o trigo debulhado de Cristo, que precisa ser moído pelos dentes das feras antes de se tornar em pão”.

Não precisamos entrar nos detalhes dos (poucos) momentos que se seguiram.

O medonho espetáculo acabou depressa, e antes daquela gente ter chegado às suas casas, tinha Inácio ganho a coroa que ambicionará e estava com seu Senhor na mora celeste.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

História do Cristianismo

Uma Carta de Plínio

A carta de Plínio (Caio Plínio Cecílio Segundo, 61-62 a 114 d.C.) ao imperador (aqui é Marco Úlpio Nerva Trajano, 53 a 117 d.C.) e a resposta deste, são cheias de interesse.

Um dos períodos dessa carta rezava assim:

“Todo o crime, ou erro, dos cristãos se resumia nisto — tinham por costume reunir-se num certo dia antes do romper da aurora, e cantar juntos um hino a Cristo, como se fosse um deus, e se ligar por um juramento de não, cometer qualquer iniquidade, de não ser culpados de roubo ou adultério, de nunca desmentir a sua palavra, nem, negar qualquer penhor que lhes fosse confiado, quando fossem chamados a restituí-lo.
Depois disto feito, costumavam separar-se, e, em seguida, reunir-se de novo para uma refeição simples, da qual partilhavam em comum sem a menor desordem, mas deixaram esta última prática depois da publicação de um edital em que eu proibi reuniões, segundo as ordens que recebi.
Depois destas informações julguei muito necessário examinar, mesmo por meio de tortura, duas mulheres, que diziam ser diaconisas, mas nada descobri a não ser uma superstição má excessiva.”

Isto tudo era o que Plínio podia dizer.

Não é para admirar que um homem estranho à graça de Deus visse na religião de Jesus Cristo, desprezado e humilde, apenas uma superstição má e excessiva.

Não é motivo de admiração que o urbano e instruído governador, cuja fama era conhecida no mundo inteiro, escrevesse com tal desdém a respeito de um povo cujas opiniões eram tão diferentes das suas.

“O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porquanto se discernem espiritualmente.” (1 Co 2.14).

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

História do Cristianismo

O Segundo Século da Era Cristã

Reinado de Nerva, Trajano e Marco Aurélio

Havia apenas dezoito meses que Domiciano havia morrido, quando a Igreja, que ficara isenta de perseguição durante o curto reinado de Nerva (Marco Coceio Nerva; 08/11/30 d.C. – 27/01/98 d.C.; foi imperador romano de 96 até a sua morte em 98), seu sucessor, começou novamente a sofrer.

Nerva era um homem de caráter brando e generoso, e tratou bem os cristãos e com uma benignidade digna de louvor reestabeleceu todos que foram expatriados pela perseguição de Domiciano.

Porém, depois de um reinado de dezesseis meses, foi atacado de uma febre, da qual nunca se restabeleceu.

O seu sucessor, Trajano, deixou os cristãos tranquilos por algum tempo, mas sendo levado a suspeitar deles, determinou que se renovasse a perseguição, e, sendo possível, que se exterminasse a nova religião, por meios decisivos e severos.

Parecia ao seu espírito orgulhoso que o Cristianismo era uma ofensa, um insulto para a natureza humana, e que seu ensino era (como efetivamente era) inteiramente oposto a filosofia dos seus tempos: uma filosofia que elevava os homens a deuses, e julgava efeminadas e desprezíveis a humildade e brandura dos cristãos.

Mas Trajano não tinha a crueldade de Nero, nem de Domiciano; e podia-se notar certa perplexidade nessa ocasião e indecisão na sua conduta, que contrastava, de maneira notável, com a inflexibilidade de propósito que ordinariamente mostrava nos seus atos.

Pela sua carta a Plínio, governador de Bitínia e Ponto, pode-se ver que ele não sentia prazer algum na tortura ou execução dos seus súditos.

Nessa carta diz ele claramente: “Não se deve andar à procura desta gente”; e acrescenta, “se alguém renunciar ao Cristianismo, e mostrar a sua sinceridade suplicando aos nossos deuses, alcançará o perdão pelo seu arrependimento".

Em suma, era a religião, e não os seus adeptos, que Trajano odiava.

Continua.

KNIGHT, A. E.; ANGLIN, W.. História do Cristianismo. 3. ed. Teresópolis: Casa Editora Evangélica, 1955. 404 p.